FAÇA A DIFERENÇA

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Tenha hoje mesmo a sua iniciativa…

Conta uma lenda que um escritor morava em uma tranqüila praia, junto de uma colônia de pescadores.

Todas as manhãs ele caminhava à beira do mar para se inspirar, e à tarde ficava em casa escrevendo.

Certo dia, caminhando na praia, ele viu um jovem que recolhia estrelas-do-mar da areia, uma por uma, para jogá-las novamente de volta ao oceano.

“Por que está fazendo isso?” - perguntou o escritor.

“Você não vê?” - explicou o jovem “A maré está baixa e o sol está brilhando. Elas irão secar e morrer se ficarem aqui na areia”.

O escritor espantou-se: “Meu jovem, existem milhares de quilômetros de praias por este mundo afora, e centenas de milhares de estrelas-do-mar espalhadas pela praia”.

Que diferença faz? Você joga umas poucas de volta ao oceano. A maioria vai perecer de qualquer forma”. O jovem pegou mais uma estrela na praia, jogou de volta ao oceano e olhou para o escritor: “Para essa aqui eu fiz a diferença…”

Naquela noite o escritor não conseguiu escrever, sequer dormir. Pela manhã, voltou à praia, procurou o jovem, uniu-se a ele e, juntos, começaram a jogar estrelas-do-mar de volta ao oceano.

Assim é o plano de Deus: “um por todos, todos por um…”.

O dízimo possibilita a evangelização, apoio aos necessitados, o desenvolvimento das ações religiosas; por isso, é questão de fé e justiça.

Faça sua parte! Jesus te ama imensamente e conta com você!

Seja você também participante ativo nas obras da Igreja. Seja dizimista!

DÍZIMO, GESTO DE GRATIDÃO A DEUS E A COMUNIDADE

PERGUNTAS E RESPOSTAS Faça um comentário »

01. O que o dízimo não é ?
O dízimo não é pagamento, taxa ou imposto que se dá à igreja para a ela pertencer ou dela fazer parte.

02. O que é o dízimo ?
O dízimo é devolução, contribuição, ato de amor e gesto de partilha. Nós não pagamos o dízimo; nós devolvemos o dízimo, já que tudo o que somos e temos pertence a Deus.

03. Quem “inventou” o dízimo ?

O dízimo não foi inventado; ele nasceu espontaneamente, como resposta do homem e da mulher à bondade e à misericórdia de Deus.

04. Podemos afirmar que por meio do dízimo nós louvamos e agradecemos a Deus ?
Sim, o dízimo é um dos modos pelo qual nós, cristãos, manifestamos a nossa gratidão a Deus.

05. O dízimo é bíblico ?
Sim, o dízimo está prescrito na Bíblia (Cf. Gn 14, 18-20; 28, 20-22; Nm 18, 25-32; Dt 12, 6.11.17; Lv 27, 30-33; Dt 14,22-29; Ml 3, 8-10; Tb 1,6-8; Mt 23, 23).

06. Quem é dizimista já está a salvo ?
Não, o dízimo não compra a salvação, mas quando dado com sinceridade de coração e em espírito de fé, contribui para que a alcancemos.

07. Por que, para algumas pessoas, é tão difícil dar o dízimo ?
Para algumas pessoas é difícil contribuir com o dízimo por estarem inteiramente dominadas pelo egoísmo. Quem é egoísta não conhece a alegria e o prazer da partilha.

08. Quanto deve-se dar de dízimo ?
Deve-se dar de dízimo o que mandar o coração e exigir a consciência. Os israelitas davam dez por cento (daí a palavra “dízimo”= décima parte de alguma coisa). Também nós somos convidados a chegar, aos poucos e com o tempo, aos dez por cento.

09. O católico é obrigado, então, a contribuir com dez por cento ?
Não, não é obrigado, e sim convidado. No Brasil, os bispos pedem que os católicos contribuam com, ao menos, dois por cento do que ganham e, à medida que puderem, contribuam com mais, até chegar aos dez por cento.

10. Como deve proceder quem quer ser dizimista ?
Quem quer ser dizimista deve procurar os responsáveis pelo dízimo de sua comunidade, ou então conversar com o padre, manifestando a eles o desejo de ser inscrito entre os que contribuem com o dízimo. A pessoa encarregada dará, então, as informações complementares de como, quando e onde entregar o dízimo.

11. O dízimo deve ser mensal, semestral ou anual ?
O dízimo, para que funcione de fato numa comunidade, deve ser mensal. Em algumas comunidades, porém, por motivos que lhes são próprios, o dízimo pode ser dado de seis em seis meses, ou até mesmo anualmente. O melhor, contudo, é que seja mensalmente.

12. É importante o quanto se dá de dízimo ?
Sim, é importante. O dízimo deixa de ser dízimo e se torna esmola quando um católico, que tem condições, dá a Deus e a Igreja menos do que gasta num refrigerante ou com um lanche. É triste constatar que alguns católicos (ou muitos?) quando contribuem com migalhas só para tapear a consciência e dizer que são dizimistas. Nesse caso seria melhor que não dessem nada.

13. E os pobres, quando devem dar de dízimo ?
Ninguém é obrigado a dar de dízimo o que não tem ou não pode dar. O dízimo dos pobres, por menor que seja, deve ser acolhido com muito amor e profunda gratidão (leia Lc 21, 1-4)

14. Cada um deve dar, portanto, segundo as suas possibilidade ?
Sim, cada um deve dar segundo as suas possibilidades. Quem tem mais dá mais, quem tem menos, dá menos.

15. Os membros das pastorais, do conselho pastoral, os catequistas e os ministros estão dispensados do dízimo ?
Não, não estão dispensados. Como cristãos conscientes e membros ativos da igreja, devem ser os primeiros a contribuir, tanto por convicção, como para dar testemunho aos demais membros da comunidade.

16. Que destinação é dada ao dízimo ?
O dinheiro arrecadado com o dízimo é investido na própria comunidade. Parte dele vai para a manutenção da igreja, do prédio, do salão e da casa paroquial; outra parte vai para as despesas com o culto (a liturgia), e outra ainda para a formação de agentes pastorais e a assistência e a promoção dos mais pobres.

17. O dízimo acaba no “bolso” do padre ?
Não, não acaba no bolso do padre. Como já vimos o dízimo é aplicado às necessidades da comunidade. Quanto ao padre, é justo que receba um salário digno. E esse salário, é lógico, deve ser retirado do dízimo. A respeito desse assunto, não deixe de ler o texto esclarecedor de 1Cor 9, 4-14 18.

18. Como o dízimo é usado na liturgia e nas pastorais ?
Na liturgia, o dízimo é usado para a compra de materiais e utensílios litúrgicos (hóstias, cálice, cibórios, velas, folhetos litúrgicos, etc) e nas pastorais e utilizado tanto na aquisição de material (giz, bíblias, livros, etc), com a formação dos próprios catequistas.

19. Como os mais carentes são ajudados através do dízimo ?
Os mais carentes são ajudados pelo dízimo de duas maneiras: pela assistência (doação em dinheiro, compra de medicamentos, etc) e pela promoção (realização de cursos de alimentação alternativa, medicação caseira, educação política, etc). Quando um carente é ajudado e promovido, é toda a comunidade dizimista que o ajuda e promove.

20. O dízimo facilita a formação de líderes e agentes de pastoral ?
Sim! O dízimo, numa comunidade consciente e organizada, faz com que a mesma não invista só em construções, mas também se preocupe com a formação de seus líderes e agentes pastorais.

21. Pode-se oferecer bens em lugar de dinheiro ?
Sim, pode-se oferecer bens em lugar de dinheiro. É aconselhável, contudo, que o dízimo seja oferecido em dinheiro, tendo assim a sua aplicação facilitada.

22. Quem dá o dízimo está dispensado das taxas paroquiais ?
Sim, quem dá o dízimo está dispensado das taxas paroquiais. Leve-se em conta, porém, que essa dispensa de taxas deve acontecer gradativamente, à medida que o dízimo for sendo implantado e organizado.

23. De que taxas os dizimistas devem ser dispensados ?
Os dizimistas estão dispensados das taxas previstas nos estatutos do dízimo de cada diocese e paróquia. Se estes estatutos ainda não existem, proceda-se de acordo com o que for combinado entre padre(s) e Equipe de Dízimo.

24. É verdade que parte do dízimo de cada comunidade vai para a diocese ?
Sim, é verdade. Esta contribuição das paróquias com a diocese é, quase sempre, investida na formação dos futuros padres (seminaristas).

25. E as comunidades, quando devem repassar para a Paróquia ?
As comunidades devem repassar para a paróquia o que estiver previsto no Estatuto Diocesano do Dízimo. No caso deste estatuto ainda não ter sido confeccionado, leve-se em conta o que ficar acertado entre padre(s) e comunidades (capelas).

26. Quem presta conta do dízimo à comunidade ?
Quem presta conta do dízimo à comunidade é a Equipe do Dízimo da qual o padre deve, obrigatoriamente, fazer parte.

27. As ofertas continuam mesmo depois da implantação do dízimo ?
Sim, continuam, além do compromisso mensal com o dízimo, os católicos têm o direito de fazer ofertas espontâneas, sejam na missa ou culto, seja por ocasião da recepção de sacramentos e sacramentais.

28. Em que sentido a Bíblia afirma que o dízimo é uma verdadeira fonte de bênção ?
A Bíblia diz que quanto mais uma pessoa é generosa e abre mão e o coração para partilhar, tanto mais recebe as bênçãos de Deus (leia Ml 3, 8-12). O coração do egoísta é fechado para dar e, em conseqüência, também fechado para receber. Só quem é generoso, e não tem medo de dividir o que possui, é que está de fato aberto par acolher os benefícios de Deus.

Fonte: http://www.catedraldesantoantonio.com.br/dizimo.htm

QUE DIZ A BÍBLIA SOBRE O DÍZIMO

O DÍZIMO NA BÍBLIA Faça um comentário »

A palavra Dízimo é encontrada pela primeira vez em Gênesis 14-18-20; “Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote de Deus Altíssimo, mandou trazer pão e vinho, e abençoou Abrão, dizendo: Bendito seja o Deus Altíssimo que entregou os teus inimigos em tuas mãos! ” E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo”.

Abrão oferece a Deus 10% de todos os seus bens, em agradecimentos pela assist6encia de Deus nas lutas contra os inimigos.

Dízimo deve brotar da gratidão, do reconhecimento de que Deus é o Senhor de tudo. Se tenho é porque Ele me deu.

Dízimo: Vamos analisar, ao longo de toda a Biblia, o significado exato desta palavra e suas exigências em sentido litúrgico (relação com Deus) e comunitário (deveres com os irmãos).

Heb. 7,4:

“Considerai, pois quão grande é aquele a quem até o patriarca Abraão deu ao dízimo dos seus mais ricos espólios”.

Comentário;

Abraão, nosso pai na fé, pagou o dízimo. Quem de nós pode se auto-isentar?

Deut. 14, 22-26: O QUE É DÍZIMO?

‘Porás à parte o dízimo de todo o fruto de tuas semeaduras, de tudo o que teu campo produzir cada ano. Comerás na presença do Senhor, teu Deus, no lugar que ele tiver escolhido para nele residir o seu nome, o dízimo de teu trigo, de teu vinho, e de teu óleo, bem como os primogênitos de teu rebanho grande e miúdo, para que aprendas a temer o Senhor para sempre.

Mas se for muito longo o caminho, de modo que não o possas transportar – porque o lugar escolhido pelo Senhor, teu Deus, para nele residir o seu nome é afastado demais, e ele te acumulou de muitos bens – venderás o dízimo e, levando o dinheiro (desta venda) em tuas mãos, irás ao lugar escolhido pelo Senhor, teu Deus. Comprarás ali com esse dinheiro tudo o que te aprouver, bois, ovelhas, vinho, bebidas fermentadas, tudo o que desejares,, e comerás tudo isso em presença do Senhor teu Deus, alegrando-te com tua família”.

” PORÁS À PARTE O DÍZIMO DE TODO O FRUTO DE TUAS SEMEADURAS, DE TUDO O QUE TEU CAMPO PRODUZIR CADA ANO”.

Comentário:

É o dízimo destinado à peregrinação (à casa do Senhor) a cada três anos. É um dízimo com um fim especifico: uma finalidade absolutamente espiritual. Deus exige o dízimo e os primogênitos.

Deut. 14, 27-29:

“Não negligenciarás o levita que vive dentro dos teus muros, porque ele não recebeu, como tu partilha nem herança. No fim de três anos porás de lado toss os dízimos da colheita desse (terceiro) ano, e depo-los as dentro de tua cidade para que o levita que não tem como ru partilha nem herança, o estrangeiro, o órfão e a viúva que se encontram em teus muros possam comer à sociedade, e que o Senhor, teu Deus, te abençoe em todas as obras de tuas mãos”.

Comentário:

Que promessas extraordinária Nosso trabalho, nossos empreendimentos dão resultado porque são abençoados. E são abençoados quando partilhemos o Dízimo como que, por uma razão ou outra, não podem prover seu sustento.

Não pode ser esquecido o agente da pastoral que se dedica à evangelização, seja ele padre, irmã ou leigo.

Quantas pessoas doentes, idosas, crianças abandonadas, adultos desempregados passando necessidades por causa de um sistema injusto de distribuição da renda em todos os países, mesmo assim permanece o meu compromisso de partilhar, porque é um assunto que se relaciona com Deus e não com as pessoas.

Deut. 12, 11-14: 14-28:

Então, ao lugar que o Senhor, vosso Deus, escolheu para estabelecer nele o seu nome, ali levareis todas as coisas que vos ordeno: vossos holocaustos, vossos sacrifícios, vossos dízimos, vossas primícias e todas as ofertas escolhidas que tiverdes prometido por voto ao Senhor”.

“Guarda-te de oferecer os teus holocaustos em qualquer lugar; oferecê-los as unicamente no lugar que o Senhor escolher em uma de suas tribos, e é ali que oferecerás teus holocaustos e farás tudo que te ordeno”.

Comentário:

O dízimo deve ser levado à comunidade onde vivo, de que participo e onde celebro a fé. Eu não posso administrar o Dízimo, que a mão esquerda não saiba o que deu a direita. (Mt. 6-3).

Fazer uma cesta de alimentos e dar aos pobres é caridade e não Dízimo.

É muito importante canalizar os esforços e a generosidade dentro da comunidade cristã.

Heb. 7,5:

“Os filhos de Levi, revestidos do sacerdócio, na qualidade de filhos de Abrãao, têm por missão receber o dízimo legal do povo, isto é, de seus irmãos”.

Comentário:

A equipe, com a participação do padre, deve receber o Dízimo e ajudar a Comissão da Comunidade, como os filhos de Levi ajudavam os sacerdotes no templo, naquela época.

Deut. 26, 12-13:

“Quando tiveres acabado de separar o dízimo de todos os teus produtos no terceiro ano que é o ano do dízimo, e tiveres distribuído ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que tenham em tua cidade de que comer com fartura, dirás em presença do Senhor, teu Deus: Tirei de minha casa o que era consagrado para dar ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, como me ordenaste: não transgredi nem omiti nenhum dos vossos mandamentos”.

Comentário:

O dízimo estabelece um principio de fidelidade entre a criatura e seu criador.

Num. 18, 26-28:

“Dirás aos levitas: quando receberdes dos israelitas o dízimo que vos dei de seus bens por herança, tornareis deles uma oferta para o Senhor, o dízimo dos dízimos. Esta reserva será como o trigo tornado na eira e como o vinho tomado do lagar. Desse modo, fareis também vós uma reserva devida ao Senhor de todos os dizimos que receberdes dos israelitas, e esta oferta reservada para o Senhor, vós a entregareis ao sacerdote Aarão”.

Comentário:

Os padres ou agentes de Pastoral têm o direito de receber seus salários. Deste salário devem dar o dízimo.

Em São Paulo cada padre dá 10% de um salário para um fundo comum, para ajudar os padres idosos ou doentes. Que belo exemplo!

1º Cor. 9,4-14:

“Não temos nós, porventura, o direito de comer ou beber?

Acaso não temos trás a direito de deixar que nos acompanhe uma mulher irmã, a exemplo dos outros apóstolos e dos irmãos do Senhor e de Cefas? Ou só eu e Barnabé não temos direito de deixar o trabalho? Quem jamais, vai à guerra à sua custa?

Quem planta uma vinha e não come de seu fruto? Quem apascenta um rebanho e não se alimenta do leite do rebanho?

Trata-se, acaso de simples norma entre os homens? Ou a Lei não diz também o mesmo? Na Lei de Móises está escrito: Não atarás a boca ao boi que debulha (Deut. 25,4) Acaso Deus tem dó dos bois? Não é na realidade, em atenção a nós que ele diz isto? Sim! É por nós que esta escrito. Quem trabalha deve trabalhar com esperança e igualmente quem debulha deve debulhar com esperanças de receber sua parte. Se entre vós semeamos bens espirituais, será, proventura, demasiada exigência colhermos de vossos bens materiais? Se outros arrogam este direito sobre vós, não o temos muito mais?

Entretanto, não temos feito uso deste direito: sofremos tudo para não pôr obstáculo algum ao Evangelho de Cristo. Não sabeis que os ministros do culto vivem do culto, e que os que servem ao altar participam do altar? Assim também ordenou o Senhor que os que anunciam o Evangelho vivam do Evangelho”.

‘O PRÓPRIO JESUS PARA NÃO ESCANDALIZAR, PAGOU TRIBUTO”

Comentário:

Muitos padres não recebem seu salário, seu sustento digno. É dever grave da comunidade cuidar do sustento de seus agente de pastoral.

É direito daquele que prega o Evangelho viver do Evangelho. Este é um aspecto pouco reconhecido entre nós, cristãos de hoje. Fomos envenenados pela idéia de que a igreja é rica. Uma maneira fácil, cômoda, de nos omitir. Até quando?

Eis ai também o direito do trabalhador, de participar daquilo que produz. Tanto o padre, como as irmãs ou os agentes da Pastoral adquirem o direito de participar das ofertas e do dízimo na medida em que se dedicam à comunidade.

Mat. 22, 15-21:

“Reuniram-se, então, os fariseus para deliberar entre si sobre a maneira de surpreender Jesus nas suas próprias palavras.

Enviaram seus discípulas com os herodianos, que lhe disseram: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus em toda a verdade, sem te preocupares de ninguém, porque não olhas para a aparência dos homens.

Dize-nos, pois o que te parecer: é permitido ou não pagar o imposto a César?” Jesus, percebendo a sua malícia respondeu que se pago imposto”. Apresentaram-lhe um denário. Perguntou Jesus: “De quem é esta imagem e esta inscrição? “De César”- responderam-lhe. Disse-lhe então Jesus: “Daí, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.

Comentário:

Imposto paga-se o devido; a Deus, oferece-se conforme manda o coração. No antigo Testamento o dízimo era obrigatório só para atender determinada necessidade. A quantia era determinada pelas autoridades, tipo imposto.

Quando é Deus que pede, a oferta é conforme manda o coração.

Supõe-se aqui um coração conscientizado que conhece seus deveres, que conhece as necessidades da paróquia e corresponde por amor, por justiça.

Gen. 28,20:

“Jacó fez então este voto: Se Deus for comigo, se ele me guarda durante esta viagem que empreendi, e me der pão para comer e roupa para vestir, e me fizer voltar em paz à casa paterna, então o Senhor será o meu Deus. Esta pedra da qual fiz uma estrela será uma casa de Deus e pagarei o dízimo de tudo o que me deres”.

Comentário:

Jacó fez o voto de dar o dízimo de tudo aquilo que Deus lhe daria Se Deus o atendesse, ele lhe daria 10% e o reconheceria como Deus. Caso contrário…

Deus o atendeu e Jacó cumpriu sua promessa.

Não tenha medo de pedir e ser fiel.

Lev. 27, 30-31:

“Todos os dízimos da terra tomados da semente do solo ou dos frutos das árvores são própriedade do Senhor: é uma coisa consagrada ao Senhor. Todos os dízimos do gado maior e menor, os dízimos do que passa sob o cajado do pastor, o décimo (animal) será consagrado ao Senhor”.

Comentário:

O dízimo é propriedade do Senhor. Esta é a passagem mais explícita da Bíblia sobre a obrigatoriedade do dízimo. Imagem no quintal de nossa casa uma laranjeira com dez laranjas.

Tob. 1,6-7:

“Dirigia-se ao templo do Senhor Deus de Israel, oferecendo fielmente as primícias e os dízimos de todos os seus bens. De três em três anos, dava ao prosélios e aos estrangeiros todo o seu dízimo”.

Comentário:

Tobias foi sempre um homem bom, e fiel e temente a Deus, e por isso protegido por Êle.

Mt. 23,23:

“Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do caminho e desprezais os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia, a fidelidade. Eis o que era preciso praticar em primeiro lugar, sem contudo deixar o restante”.

Luc. 11,42:

“Aí de vós fariseus que pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de diversas ervas, e desprezais a justiça e o amor de Deus. No entanto, era necessário praticar estas coisas, sem contudo deixar de fazer aquelas outras coisas”.

Comentário:

O fato de pagarmos o dízimo não nos autoriza a sermos injustos e exploradores.

É necessário dar ofertas, é mais necessário praticar a justiça.

O dízimo me torna fiel e justo para com Deus. Mas deve tornar-me fiel e justo com meus irmãos, lutando contra a opressão e as injustiças.

Nove eu posso apanhar, chupar, vender, dar. Posso fazer aquilo que eu quero. Uma pertence à Deus. É o dízimo. Mas Deus me dá liberdade. Deixa-me livre. Eu posso apanhar ou não aquela laranja consagrada a Êle. Mas se uso mal a liberdade e a apanho e chupo, estou comendo a semente. Se como a semente não planto, se não planto, não posso colher.

Mat. 3,8-9:

“Pode o homem enganar seu Deus? Por que procurais enganar-me? E ainda perguntais: Em que vos temos enganado? No pagamento dos dízimos e nas ofertas. Fostes atingido pela maldição, e vós, nação inteira, procurais enganar-me”.

Comentário:

O Dízimo é algo importante e sério.

Ficar com o que é dos outros é roubo.

Será que conseguiremos enganar a Deus? Basta olhar a realidade do mundo e ao nosso redor para compreendermos a seriedade deste texto. Mas, de outro lado, o texto seguinte expressa a vontade de Deus e a sua disponibilidade de abençoar aquele que é fiel.

Mat. 3,10 e 11:

“Pagai integralmente os dízimos ao tesouro do templo, para que haja alimento em minha casa. Fazei a experiência, diz o Senhor dos exércitos, e vereis se não vos abro os reservatórios do céu e se não derramo a minha benção sobre vós muito além do necessário”.

Comentário:

Aqui está o verdadeiro sentido do Dízimo. Deus pede o Dízimo e diz para quê. Não pode faltar nada na casa de ninguém. E o direito de todos participarem de tudo o que precisam para uma vida feliz e digna. Nós mesmos somos a casa onde Deus que fazer morada. Esta morada tem que ser digna. Dízimo, dízimo mesmo como sinal de partilha, garante esta dignidade.

“Tesouro do templo” lugar onde eram depositadas as ofertas, os dízimos que as pessoas traziam. Seriam uma espécie de depósito que funcionava numa sala junto ao templo.

Vemos aqui o Criador prometer suas bençãos. Não é o homem que impõe condições como fez Jacó, e sim o Senhor oferecendo bondosamente propondo uma experiência. “A prata e o ouro me pertencem, diz o Senhor.” ( Ageu 2,8).

QUE É DÍZIMO?

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Conversaremos sobre o dízimo, sua importância na vida da Igreja e de cada fiel. O dízimo é uma contribuição voluntária, regular, periódica e proporcional aos rendimentos recebidos, que todo batizado deve assumir como obrigação pessoal - mas também como direito - em relação à manutenção da vida da Igreja local onde vive sua fé. O dízimo é uma forma concreta de manifestar a fé em Deus providente, um modo de viver a esperança em seu Reino de vida e justiça, um jeito de praticar a caridade na vida em comunidade. É ato de fé, de esperança e de caridade. Pelo dízimo, podemos viver essas três importantes virtudes cristãs, chamadas de virtudes teologais, porque nos aproximam diretamente de Deus. O dízimo é compromisso de cada cristão. É uma forma de devolver a Deus, num ato de agradecimento, uma parte daquilo que se recebe. Representa a aceitação consciente do dom de Deus e a disposição fiel de colaborar com seu projeto de felicidade para todos. Dízimo é agradecimento e partilha, já que tudo o que temos e recebemos vem de Deus e pertence a Deus.

Que passagens da Bíblia nos falam do Dízimo? São muitíssimas. Por sua Palavra, Deus nos convida: a confiar nele, que é o único Senhor de tudo; a ser-lhe agradecidos, porque ele é a fonte de todo bem; a colaborar com ele na instauração de uma nova sociedade, em que haja partilha e comunhão de bens, e em que não haja necessitados. Nos textos que seguem, podemos conferir essa divina proposta. A título de exemplo, citamos apenas algumas passagens bíblicas. Veremos, primeiro, que os patriarcas de Israel sabiam reconhecer os dons de Deus e lhe eram agradecidos, oferecendo-lhe a décima parte de tudo o que possuíam: “Abraão deu ao Senhor a décima parte de tudo” (Gen. 14,20). Jacó disse: “Eu te darei a décima parte de tudo o que me deres” (Gen. 28,22). Através do profeta Malaquias, Javé reclama do povo a oferta do dízimo, e lhe faz a ousada proposta de fazer a experiência do dízimo, como sinal de confiança nas graças que somente ele, Javé, pode dar. Diz Javé: “Vocês perguntam: Em que te enganamos?¹ No dízimo e na contribuição. Vocês estão ameaçados de maldição, e mesmo assim estão me enganando, vocês e a nação inteira! Tragam o dízimo completo para o cofre do Templo, para que haja alimento em meu Templo. Façam essa experiência comigo. Vocês hão de ver, então, que abrirei as comportas do céu, e derramarei sobre vocês as minhas bênçãos de fartura” (MI 3,8-10).

Quanto se deve oferecer de dízimo? Deve-se ofertar a Deus o que mandar o nosso coração e o que a nossa consciência falar. O Apóstolo Paulo assim escreve: Dê cada um conforme o impulso de seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama a quem dá com alegria (2 Cor 9,7). Os israelitas davam dez por cento do que colhiam da terra e do trabalho. Daí vem a palavra dízimo, que significa décima parte, dez por cento daquilo que se ganha. Veja como Deus é bom. Ele lhe dá tudo. Deixa nove partes para você fazer o que precisar e quiser, e pede retorno de somente uma parte. Assim, todos somos convidados a ofertar de fato a décima parte. Mas é importante perceber o seguinte: dízimo não é esmola, nem sobra, nem migalha, pois Deus de nada precisa. Ele quer nossa gratidão. Ele quer que demos com alegria e reconhecimento e liberdade. O que se dá com alegria faz bem àquele que dá e àquele que recebe.

Deus quer que ofertemos o dízimo com alegria e liberdade. Embora a palavra dízimo tenha o significado de décima parte, ou dez por cento, cada pessoa deve livremente definir, segundo os impulsos de seu coração, sem tristeza e nem constrangimento, qual seja o percentual de seus ganhos que deve destinar ao dízimo a ser entregue para a sua comunidade. No entanto, a experiência tem comprovado que aqueles que, num passo de confiança nas promessas divinas, optaram pelo dízimo integral, isto é, pela oferta de 10% de tudo que ganham, não se arrependeram de tê-lo feito e nem sentiram falta em seus orçamentos. Ao contrário, sentem-se mais abençoados que antes, quando suas contribuições eram proporcionalmente menores. Há muitos dizimistas que dão este testemunho: quanto mais se oferece de dízimo, mais se ganha. Pois, o dízimo é um ato de fé em Deus, que não deixa na mão os que nele confiam. De qualquer modo, cada dizimista deve sentir-se livre diante de Deus para fixar o percentual de sua contribuição. O dizimista não deve preocupar-se com o que sai de seu bolso (se muito ou pouco dinheiro), mas o que sai de seu coração (se pouco ou muito amor a Deus e à comunidade).

O dízimo deve ser mensal, bimestral ou anual? Em princípio, o dízimo deve ser oferecido cada vez que se recebe algo: o salário, uma doação ou o resultado de uma venda importante. De modo geral e prático, podemos dizer que a oferta do dízimo deve ser mensal. Assim como você recebe seu salário todo mês, assim também mensalmente deveria fazer sua oferta do dízimo. Por isso, é necessário educar-se para fazer mensalmente a oferta do dízimo. Se o católico, que recebe mensalmente o seu salário, não se educar para o dízimo mensal, ele irá dar, uma ou outra vez, aquilo que sobrar. E isso não é dízimo, mesmo que seja uma grande quantia. Se desse mensalmente apenas 1%, mas com alegria e consciência, seria melhor. Sendo uma contribuição regular e periódica, e proporcional ao ganho de cada dizimista, o dízimo deve ser entregue na comunidade com a mesma regularidade com que acontece o recebimento de seus ganhos. A contribuição mensal de cada dizimista favorece também a organização da Pastoral do Dízimo, na comunidade, na paróquia e na diocese. Sabendo quanto recebe mensalmente de dízimo, a Igreja pode fazer seus orçamentos e previsões, bem como pode prestar contas regulares ao povo.

Por que, para algumas pessoas, é tão difícil oferecer o Dízimo? Vivemos numa sociedade em que o dinheiro e o lucro ocupam o lugar de Deus e das pessoas. Jesus Cristo nos adverte que é impossível servir a dois senhores, adorando ao mesmo tempo a Deus e ao Dinheiro (Lc 16,13). Mesmo assim, há cristãos que seguem a proposta do mundo. A sociedade materialista e consumista em que vivemos nos ensina a reter, concentrar, possuir, ter, ganhar, consumir, acumular. Somos incentivados a ter corações egoístas e fechados. O Evangelho, ao contrário, nos ensina que só quem é generoso e não tem medo de repartir o que possui está, de fato, aberto para acolher os benefícios de Deus. São dois projetos bem diferentes: a sociedade consumista e egoísta ou o Reino da partilha e da justiça. É preciso fazer uma escolha entre o Reino de Deus e o reino do dinheiro.

O que o dízimo tem a ver com Deus? O povo de Israel foi o primeiro povo da história humana a acreditar em um só Deus, que governa todo o Universo. Foi também, o primeiro povo a acreditar que, se o homem vive, é por vontade e querer desse Deus, que criou o ser humano “à sua imagem e semelhança”. Por esse motivo passou a fazer parte da vida desse povo a retribuição, o agradecimento. Todo judeu oferecia a décima parte de seus bens, como retribuição dos bens recebidos de Deus. Como nós, cristãos, temos nossas raízes nesse povo judeu, herdamos dele certas formas de homenagear o nosso Deus, que acreditamos ser o Pai de todas as pessoas. O dízimo é uma das mais antigas formas de agradecimento do ser humano a Deus. Não podemos deixar de reconhecer que, com o passar do tempo, tais formas de retribuição foram deturpadas. O dízimo, que inicialmente era uma necessidade de o ser humano manter sua solidariedade com seus irmãos e irmãs, através da Igreja, passou a ser uma obrigação imposta pela Igreja dos tempos antigos, perdendo o verdadeiro sentido que tinha no princípio.

ANTES DE MEXER COM O BOLSO, O DÍZIMO TOCA O CORAÇÃO.

Atualmente, a Igreja pretende redescobrir seu verdadeiro sentido para que nós cristãos possamos entender melhor o porquê do dízimo. Ele não é invenção humana e sim um dos mandamentos bíblicos e um excelente meio de vivermos as três grandes virtudes chamadas teologais. As virtudes teologais são chamadas assim, porque nos põem em relação direta com Deus ou porque nos levam a fazer o que faz o próprio Deus. São elas: a fé, a esperança e a caridade. Como sabemos, a Igreja é formada por pessoas que devem unir-se em comunidade. Em outras palavras, cada membro da Igreja é e deve sentir-se responsável pelos outros que formam a Igreja. Deus é Pai de todos e quer a plena realização de todos. Ora, ninguém pode chegar a essa realização sozinho. Por isso o sentido do dízimo é hoje riquíssimo, pois é um dos meios pelos quais cada cristão demonstra sua responsabilidade para manter a Igreja a que pertence, seja a Igreja-Templo, como também a Igreja-Povo.

Que relação existe entre dízimo e dinheiro? Se o dízimo fosse apenas uma campanha financeira, com vistas a arrecadar dinheiro, não teria sentido e nem deveria existir. Por intermédio do dízimo, o cristão reconhece que deve retribuir a Deus uma parte dos bens que recebeu do próprio Deus. Dízimo é ato de gratidão a Deus. Dízimo é ato de caridade e partilha para com a Igreja. Não é taxa nem imposto que se deva pagar à Igreja, pois a Igreja não é um clube de prestação de serviços. Dízimo não é pagamento de sacramentos ou de serviços prestados pela Igreja ou pelo padre. Dízimo não se paga, se oferece. Não se cobra, se recebe. Antes de mexer com o bolso, o dízimo toca o coração. Antes de tudo, o dízimo é a manifestação da corresponsabilidade de cada um para com a comunidade cristã, da qual faz parte. Quando alguém devolve o dízimo, põe em prática a Palavra de Deus que diz: “Ofertai o dízimo” (Malaquias 3,10). Portanto, ele deve ser feito não como uma obrigação imposta, mas sim como reconhecimento de que vem de Deus tudo o que se tem e se possui. Todas as coisas pertencem a Deus, mesmo que estejam em poder de determinada pessoa. Essa atitude deve levar cada um de nós à conscienti-zação de que fazemos parte de uma comunidade pela qual cada um de nós é responsável. Oferecer o dízimo não quer dizer isentar-se de outras responsabilidades para com a comunidade. Pelo contrário, deve ser o início de uma nova relação do fiel com sua Igreja, principalmente com a comunidade onde vive.

Onde devo entregar o Dízimo? Diz o livro do Deuteronômio: “Então, ao lugar que o Senhor, vosso Deus, escolheu para estabelecer nele o seu nome, ali levareis todas as coisas que vos ordeno: vossos holocaustos, vossos sacrifícios, vossos dízimos, vossas primícias e todas as ofertas escolhidas que tiverdes prometido por voto ao Senhor” (Dt 12,11s). O dízimo pertence a Deus e é no templo que deve ser entregue, ou seja, na paróquia onde vivemos regularmente nossa fé. Levar um auxílio a um pobre, fazer um donativo a uma instituição beneficente, colaborar com campanhas de solidariedade, contribuir com movimentos de Igreja e/ou movimentos sociais… tudo isso são obras muito boas e agradáveis a Deus. Mas essas doações não substituem o dízimo e não nos isentam do nosso dízimo mensal, ofertado à paróquia onde recebemos a Palavra e os Sacramentos da salvação. Portanto, o dízimo deve ser levado à igreja. Pode ser entregue na secretaria paroquial, ou numa caixa de recebimento do dízimo que há na igreja, ou ser entregue a alguém da Pastoral do Dízimo ao final das missas e celebrações. Embora haja, em algumas paróquias, o costume de alguns fiéis saírem pelas ruas para receberem o dízimo das famílias, o ideal seria que cada fiel viesse à igreja trazer o seu dízimo. Os membros da Pastoral do Dízimo podem / devem ir de casa em casa para: levar alguma mensagem da paróquia, entregar o Jornal da Arquidiocese, lembrar o compromisso com o dízimo, entregar o relatório mensal da prestação de contas, etc. Mas, cada um deveria oferecer livre e alegremente o seu dízimo na comunidade onde vive sua fé.

Que efeitos a oferta do dízimo produz na pessoa? O dízimo é como a semente. Lançado em terreno fértil, germina e cresce, e, com o tempo, produz frutos bons e abundantes. Com a evangelização paroquial do dízimo, observa-se que cresce, no coração do dizimista e na comunidade participativa, o espírito de fraternidade e de amor ao próximo. Traços de caridade, generosidade e partilha, se evidenciam a cada dia. Percebe-se que as pessoas, ao fazerem a experiência do dízimo, vivenciam, em suas casas e em diferentes ambientes, o fato de que nada lhes falta, principalmente o necessário para sua sobrevivência. Essas pessoas perceberam o sentido e objetivo do dízimo. Descobriram que o dízimo é um ato de louvor. É um agradecimento a Deus, por tudo o que somos e temos. O dízimo é um compromisso com Deus, com a Igreja e com os pobres. O dizimista é alguém que aprendeu a repartir. Seu dízimo é uma partilha dos bens de Deus, do que se tem e não do que sobra. Por isso, o dízimo deve vir, como diz a Bíblia, das nossas primícias, isto é, de nossos “primeiros frutos”. Deus não precisa de nossas coisas e do nosso dinheiro, mas quer nos educar à generosidade e à partilha. O dízimo nos leva a imitar Deus na generosidade: educa-nos para a vida de comunidade. O dízimo é um ato de fé em Deus e confiança na comunidade. “Quem semeia com largueza, com largueza colhe” (2 Cor 9,6). Se você já fez a experiência do dízimo: Parabéns! Persevere sempre… Se ainda não é dizimista: Não tenha medo. Faça a experiência e verá a promessa de Deus se cumprir na sua vida (Malaquias 3,10-12). Ao final de tudo, você é quem vai sair ganhando!

Para quê o dízimo, se as festas dão mais dinheiro? As festas dão dinheiro pra quem? Para as distribuidoras de bebidas, para os camelôs, para os supermercados que as abastecem. Uma pergunta se faz necessária! Nossas festas de Igreja são evangelizadoras? Há um descontentamento generalizado no interior de nossas comunidades quanto às festas: exigem muita preparação; provocam cansaço e estresse; às vezes criam divisões e fofocas na comunidade; roubam o tempo que poderia ser usado na catequese, na oração, na evangelização, na formação de novos ministros, nos grupos de reflexão; facilitam o consumo de drogas, o exagero em bebidas e os namoros irresponsáveis; favorecem a prática de desvio de dinheiro; desagradam os vizinhos por causa do barulho. Muitas vezes, a condição de realizá-las passa por relações indecentes da Igreja com empresas comerciais e poderes públicos: vantagens, desvios de recursos públicos, doações interesseiras. Relações em que a Igreja se vende ao mercado e ao poder.

“QUEM SAI GANHANDO, NA OFERTA DO DÍZIMO, É O PRÓPRIO DIZIMISTA!”

Além disso, as festas distorcem o sentido bíblico de festa e disseminam a idéia de que a Igreja é uma empresa de fazer dinheiro. Atrapalham as relações ecumênicas, uma vez que os membros de outras igrejas cristãs nos vêem como adoradores do deus-dinheiro e promotores de vícios. Fazer festa é um ato profundamente bíblico e cristão. Mas não para fazer dinheiro, nem para facilitar os vícios. As festas dos israelitas e dos primeiros cristãos eram ocasião de celebrar a vida, a fé e a organização do povo. Eram marcadas pelo espírito da alegria e da partilha. Não se pode nem se deve acabar de vez com as festas. Mas, com o incentivo da Pastoral do Dízimo e o aumento do dízimo dos fiéis, será possível diminuir drasticamente o número delas e a preocupação que nos causam. Mais que tudo isso, é importante considerar que o dízimo é um mandamento bíblico e, por isso, favorece grandemente a experiência de fé em Deus e de partilha com os irmãos.

Qual o objetivo da Equipe de Pastoral do Dízimo? Embora a conseqüência natural da implantação do dízimo seja um crescimento na arrecadação paroquial, o objetivo da organização da Pastoral do Dízimo nunca deveria ter essa conotação de resolver o problema de caixa da paróquia. Toda paróquia tem, com efeito, outras fontes de renda, que não são o dízimo: festas, eventos promocionais, aluguéis, doações, etc. Mas, a principal fonte de renda deve ser o dízimo. Na verdade, para sermos fiéis à Bíblia, a única fonte deveria ser o dízimo. Conseguir recursos para a evangelização, eis o carisma da Equipe de Pastoral do Dízimo! Se o dízimo fosse bem organizado, não se despenderia tanta energia, cansaços e tensões (quando não até divisões) com outras preocupações. Mas, para que haja uma boa organização do dízimo, é necessária muita evangelização. A Equipe de Pastoral do Dízimo tem esta missão: conscientizar todos os paroquianos sobre sua responsabilidade para com a comunidade paroquial onde vive e da qual faz parte. Neste sentido, importante trabalho deve ser feito exatamente junto às lideranças das pastorais, movimentos e grupos. Mais do que fazer dinheiro e aumentar a renda da paróquia, o objetivo primeiro da Equipe de Pastoral do Dízimo é: a) conscientizar os fiéis sobre a dimensão bíblica, teológica e espiritual do dízimo; b) mostrar que o dízimo é um ato de fé, de esperança e de caridade; c) testemunhar a alegria de uma vida agradecida a Deus, através da oferta mensal do dízimo.

Qual é a importância da Pastoral do Dízimo para a Paróquia? Para que aconteça uma Pastoral de Conjunto dinâmica e atuante, é necessário que todos contribuam. A participação não é meramente financeira, mas implica também na doação pessoal de talentos e do próprio tempo à comunidade. A Equipe da Pastoral do Dízimo tem, preponderantemente, o papel de conscientizar cada participante da comunidade sobre sua responsabilidade em contribuir em todos os sentidos para com essa mesma comunidade e toda a Igreja. Caberá à Equipe de Pastoral do Dízimo prover a comunidade com os recursos materiais necessários a toda a obra evangelizadora. Todo mundo sabe que sem dinheiro não se faz nada. Para qualquer tipo de evangelização, é preciso contar não somente com pessoas e sua boa vontade, mas também com dinheiro. É preciso investir na formação de lideranças, na catequese das crianças, adolescentes e jovens, em viagens e hospedagens para cursos e estudos, no pagamento de salário justo aos padres e outros agentes de pastoral, nos materiais para a celebração. Tudo isso, e muito mais, deve ser bancado pela comunidade. A Igreja não vive de subsídios do governo, nem de coletas feitas entre as grandes empresas, nem das doações dos ricos. A Igreja vive da gratuidade de seus fiéis. Quanto mais a comunidade puder contar com recursos financeiros, mais ela poderá aplicar na obra evangelizadora. Conseguir esses recursos, eis o carisma de quem participa da Equipe de Pastoral do Dízimo!

Quais as tarefas próprias da Equipe da Pastoral do Dízimo? O papel primordial da Equipe de Pastoral do Dízimo é o de ser conscientizadora. A ela cabe lembrar sempre aos fiéis o compromisso do dízimo como questão de fé e de confiança na Divina Providência. Mas há tarefas a serem executadas. Tarefas de cadastro de dizimistas, arrecadação do dízimo ao final das missas, redação e remessa de correspondências diversas aos dizimistas, confecção de cartazes, visitas, participações eventuais nas celebrações comemorativas do dízimo e muitas outras circunstâncias que podem surgir. Não se pode esquecer de um fator muito importante: a prestação regular e periódica de contas, das arrecadações e gastos ocorridos.

Quem pode ser membro da Equipe da Pastoral do Dízimo? Pelo tipo de tarefas mencionadas, parece que somente deveriam membros desta Pastoral os executivos, advogados, contadores, secretárias e profissionais administrativos. Se considerarmos apenas as tarefas de cadastro e organização, é provável que fosse assim, mas lembremo-nos que a principal função da Equipe da Pastoral do Dízimo é a de ser conscientizadora da necessidade de todos serem dizimistas. Qualquer pessoa que tenha boa vontade e que saiba evangelizar (e isso é tarefa de todo cristão!) pode ser membro da Equipe de Pastoral do Dízimo! Não se pode esquecer que a Igreja não é uma empresa, um clube de serviços, uma organização qualquer. Ela é a comunidade dos servidores de Deus, dos seguidores de Cristo, dos instrumentos do Espírito Santo. Mais que a nossa tarefa, conta a graça de Deus! Por isso, toda pessoa que participa regularmente da comunidade pode ser membro da Equipe Paroquial da Pastoral do Dízimo. A condição essencial para ser membro da Equipe Paroquial é a de ser um dizimista consciente, o que implica em freqüência e participação assíduas, independente de status social, intelectual ou profissional.

Devemos fazer a nossa parte: a conscientização. E deixar que Deus opere no coração na pessoa

Em si, não é necessário que a Equipe da Pastoral do Dízimo seja formada pelos mesmos membros da CAEP (Comissão de Assuntos Econômicos da Paróquia). Outras pessoas podem participar da Equipe da Pastoral do Dízimo, que tem dinâmica e organização próprias. Mas, é importante uma relação mútua entre ambas. Pois, o dinheiro que entra através das ofertas do Dízimo é administrado pela CAEP. Esta deverá prestar contas das entradas e saídas da economia da paróquia ou da comunidade. Só assim, a Equipe de Pastoral do Dízimo poderá se apresentar com transparência e liberdade diante dos dizimistas, para fazer-lhes a proposta evangélica do Dízimo.

A Equipe de Pastoral do Dízimo deve insistir para uma pessoa ser dizimista? Não se deve insistir no sentido de pegar no pé. Deve-se, porém evangelizá-la. O que devemos fazer é mostrar para a pessoa as vantagens e deixá-la livre. Devemos ser rigorosos conosco mesmos no sentido de sermos fiéis ao nosso Dízimo, de testemunharmos a graça de poder oferecê-lo mensalmente, e de nos engajarmos na conscientização dos irmãos sobre o dízimo. Oferecer a todos o máximo de informações e testemunhos. Depois disso, deixar que Deus opere no coração na pessoa. Devemos fazer a nossa parte: a conscientização.

Qual o objetivo da Equipe de Pastoral do Dízimo? Muitas vezes a pessoa faz a opção pelo dízimo levada pela emoção do momento. Passada a emoção, não se sente mais motivada a contribuir. Por isso é importante uma conscientização que atinja o coração e a razão. Uma pessoa conscientizada dificilmente interrompe sua contribuição; ao contrário, a aumentará. A conscientização deve levar o dizimista a uma decisão pessoal, espontânea, brotada do coração, a partir de uma experiência de fé na Divina Providência e de gratidão a Deus, Criador e Senhor de todas as coisas.

O bom dizimista não se preocupa com o dinheiro que sai do bolso, mas com o amor que sai de seu coração.

Cobrança em casa?

Dízimo não se paga, se oferece; não se cobra, se recebe. Por fidelidade à Bíblia, deve-se orientar para que o dizimista entregue seu dízimo na comunidade. O povo de Deus na Bíblia, seja no Antigo, seja no Novo Testamento, ia ao Templo fazer a oferta de seu dízimo. Se o dizimista participa da comunidade, não há razão de alguém ir até sua casa para receber o dízimo. Mas, é bom que a equipe visite as casas para divulgar o dízimo, para orientar as famílias a participarem da comunidade e se tornarem dizimistas. Através deste trabalho missionário, a equipe atrai as famílias para a comunidade. Mais importante que ofertar o dízimo, é participar da vida da comunidade. O dízimo é conseqüência de uma opção por Deus, pelo Evangelho, pelo Reino, pela Igreja. Sem a vida da fé em Deus e da união com a comunidade, o dízimo se torna um peso, uma obrigação. Em vez de cobrar, cabe à Equipe de Pastoral do Dízimo receber o dízimo dos fiéis. Para isso, deve prever todos os meios possíveis: ou na secretaria paroquial; ou numa caixa coletora do dízimo; ou marcando presença no início e final das missas e celebrações. Quem atua na Equipe de Pastoral do Dízimo não deve preocupar-se em atingir o bolso dos fiéis, mas o coração deles. De sua parte, o dizimista não deve preocupar-se com o que sai de seu bolso (se muito ou pouco), mas o que sai de seu coração (se pouco ou muito amor a Deus e à comunidade). O problema não está no bolso, mas no coração.

E quando o dizimista atrasa? A Equipe de Pastoral do Dízimo deve preparar uma mensagem especial para todos os dizimistas em atraso, lembrando-lhes o compromisso que assumiram na comunidade. Deve ser uma mensagem de lembrança e orientação, nunca de cobrança. O melhor mesmo é fazer uma visita para saber o que aconteceu. A Equipe de Pastoral do Dízimo deve prever algumas maneiras de lembrar o dizimista de seu compromisso com Deus e a Igreja. Alguns exemplos:

  • a) Enviar-lhe mensalmente (ou semestralmente, pelo menos) pelo Correio, ou entregar-lhe em casa, um relatório da prestação de contas da economia da paróquia ou comunidade;
  • b) Enviar-lhe pelo Correio mensagem pelo aniversário natalício e de casamento;
  • c) Enviar-lhe pelo Correio mensagem de Natal e de Páscoa;
  • d) Enviar-lhe pelo Correio, ou entregar-lhe em casa, o jornal ou boletim da paróquia e/ou da diocese (o Jornal da Arquidiocese é entregue pela equipe do Dízimo em muitas paróquias);
  • e) Enviar-lhe pelo Correio, ou entregar-lhe em casa, o carnê, no início de cada ano;
  • f) Animar mensalmente a Missa do Dizimista, oferecendo-a na intenção de todos os dizimistas, lendo, na oração dos fiéis, o nome dos dizimistas aniversariantes do mês (nascimento e casamento), entregando uma breve mensagem ao povo, entoando alguns cantos sobre o tema;
  • g) Criar clima festivo na comunidade, com cafezinho ou chá para todos, após as missas e celebrações;
  • h) Enfim, buscar meios criativos de manter o dizimista atento e consciente de seu compromisso.

Deve ser feita cobrança do dízimo em casa? Se quisermos ser fiéis ao projeto de Deus, em sua revelação sobre o dízimo, deveríamos orientar o dizimista para que entregue seu dízimo na comunidade. Se o dizimista participa da comunidade, não há razão de alguém ir até sua casa para receber o dízimo. Mas, é bom que a equipe visite as casas para divulgar o dízimo, para orientar as famílias a participarem da comunidade e se tornarem dizimistas. Através deste trabalho missionário a equipe atrai as famílias para a comunidade A Equipe de Pastoral do Dízimo deve prever os meios para receber o dízimo dos fiéis:

a) ou na secretaria paroquial; b) ou numa caixa coletora do dízimo, colocada em local visível próximo à entrada da igreja;

  • c) ou marcando presença no início e final das missas e celebrações.

Não fica ainda a impressão de que a Pastoral do Dízimo seja na verdade uma forma de resolver o problema da falta crônica de dinheiro nas Paróquias? Não. A falta crônica de dinheiro nas paróquias é conseqüência da ausência de uma sólida e segura Pastoral do Dízimo. A causa da falta de dinheiro é o egoísmo das pessoas, é a mentalidade consumista e dinheirista de nossa sociedade, é, enfim, a falta de conscientização da responsabilidade de todo batizado em participar e cooperar para sustentar a vida de sua comunidade de fé. O problema não está no bolso, mas no coração. Quem atua na Pastoral do Dízimo não deve preocupar-se em atingir o bolso dos fiéis, mas o coração deles. Também o dizimista não deve preocupar-se com o que sai de seu bolso (se sai muito ou pouco), mas o que sai de seu coração (se sai pouco ou muito amor a Deus e à comunidade).

“Dízimo não se paga, se oferece. Dízimo não se cobra, se recebe.”

O dízimo não é uma questão de dinheiro, de falta ou sobra de dinheiro. O dízimo é uma questão de fé. Se a Pastoral do Dízimo realizar sua missão, não como meio de angariar dinheiro, mas como evangelização, o povo começa a entender. Nosso povo tem coração aberto, tem um grande amor a Deus e à Igreja, tem desejo de participar. Mas, não admite ser enganado. Por isso, é também importante a prestação de contas, com transparência e constância.

Qual a palavra certa – Pagar ou oferecer o Dízimo? Cobrar ou receber o Dízimo? Por tudo o que se viu até aqui, percebe-se que o dízimo é um ato de liberdade. Embora a Palavra de Deus na Bíblia o apresente como mandamento e obrigação, e até mesmo use o verbo “pagar”, é importante lembrar que Deus nunca obriga ninguém. De fato, o dízimo é uma obrigação. Mas uma obrigação que brota do coração agradecido. Por isso, é muito importante mudarmos também nossa maneira de nos referirmos ao dízimo. Se ele não é nem taxa nem imposto, ele não deve ser nem pago nem cobrado. Se o dízimo é uma oferta agradecida, a devolução de uma parte recebida, um ato livre de fé, esperança e caridade, então ele é oferecido pelo fiel e recebido pela comunidade. É muito importante que a Equipe de Pastoral do Dízimo comece a mudar o jeito de falar do dízimo. Dízimo não se paga, se oferece. Dízimo não se cobra, se recebe. Dízimo não é taxa, nem imposto, nem esmola. Dízimo é devolução, é gratidão, é ato de amor a Deus, à Igreja e aos irmãos e irmãs.

Deve-se cobrar dez por cento de cada dizimista? Não se deve cobrar nada de ninguém. O dízimo deve nascer do coração. É verdade que a Bíblia fala em dízimo, que quer dizer exatamente dez por cento. Mas, a Palavra de Deus não deve ser peso para ninguém. Deve-se apenas anunciar a Palavra salvadora do Senhor e convidar as pessoas a praticá-la, sem terem medo de se entregar totalmente à vontade de Deus e de acreditar no seu projeto libertador. Fica na consciência das pessoas darem o dízimo que puderem. Mesmo que não seja exatamente dez por cento, deverá ser chamado de dízimo, porque é a oferta que tal ou qual fiel quer e pode oferecer.

Como explicar às pessoas que o dízimo não é dinheiro para o bolso do padre? A única maneira de fazer calar alguns preconceitos que se espalharam no meio do povo é apresentar fielmente a prestação de contas do dízimo. É preciso que o povo saiba para onde vai o seu dízimo. Que ele participe das decisões quanto aos gastos, que veja as reformas da igreja, da casa e do salão paroquial, que participe de inaugurações, que controle as entradas e saídas das contas paroquiais. Quanto ao dinheiro para o padre, é preciso esclarecer que o pároco e outros padres que atuam na paróquia recebem seu salário mensal, que é, evidentemente, retirado do dízimo. Nesse sentido, é bom lembrar o texto de 1 Cor 9,4-14, onde se fala da justiça e da dignidade do salário para quem trabalha na evangelização.

Pode-se aceitar outros bens em lugar do dinheiro? Não se deve cobrar nada de ninguém. O dízimo deve nascer do coração. Sim, desde que se trate do dízimo mensal que o fiel quiser e puder oferecer. Isso pode acontecer sobretudo em áreas agrícolas, onde os agricultores nem sempre têm dinheiro à mão, porque dependem das vendas de cada safra. É preciso considerar, contudo, que esse tipo de oferta complica bastante o trabalho da Equipe de Pastoral do Dízimo. Pois, pode acontecer que os produtos oferecidos em espécie (alimentos, por ex.) não tenham utilidade imediata, correndo o risco de se perderem. Por isso, é aconselhável insistir que o dízimo seja oferecido em dinheiro, pois assim sua aplicação é mais facilitada.

Como explicar que parte do dízimo vai para a Arquidiocese? Deve-se entender que a Igreja é uma comunhão de pessoas reunidas em pequenas comunidades e que estas comunidades formam uma rede, que é a paróquia, e que as paróquias formam a diocese, e que as dioceses todas juntas formam a Igreja de Cristo espalhada por todo o mundo. Quem sustenta a paróquia são as comunidades. Quem sustenta a (arqui)diocese são as paróquias. O ideal seria que o dízimo fosse repassado adiante. Assim como os fiéis mantêm as comunidades com seu dízimo, estas deveriam repassar o seu dízimo para a paróquia. Esta, por sua vez, deveria repassar o seu dízimo para a diocese, e assim por diante. É claro que do jeito que está nossa economia, ainda não é possível nos organizar assim. Vive-se de festas, rifas, bingos, aluguéis, apólices, exatamente porque o dízimo não é posto fielmente em prática por todos os católicos. Uma boa evangelização sobre o dízimo nos tornaria mais fiéis à comunhão de bens proposta pelo Evangelho.

Por que partilhar o dízimo? Quantas vezes na vida, somos chamados a partilhar com os outros as coisas que temos! Exemplo: Colocar o telefone ou carro à disposição do vizinho, em momento de urgência. Partilhar alegria e tristeza com pessoas de nossa confiança. Participar de campanhas como de agasalho, de alimentos, mutirão e outras. Na Bíblia, nos Atos dos Apóstolos, temos o exemplo de Barnabé. Sua história mostra como a vida em comunidade exigia a ruptura com o espírito de posse. Na comunidade, as pessoas aprendem a confiar de tal modo em Deus e nos irmãos e irmãs, que não precisam mais confiar nas coisas que possuem. O fiel cristão passa a viver de modo novo. Os bens são destinados ao uso de todos. Talvez haja ainda em nossas comunidades quem afirme: Mas eu sou um bom católico, uma cristã atuante, sou agente de pastoral, freqüento os Sacramentos, colaboro nas festas da minha Igreja, participo todas as vezes que o padre convoca a comunidade para um gesto concreto, faço mil coisas na Igreja… Mas tudo isso pode acontecer sem que haja espírito de partilha. Há católicos participantes que fazem tudo isso, e até de uma forma consciente. Mas nunca experimentaram a beleza do dízimo. É isso que está faltando em nossa Igreja, na vida de muitos católicos. Pois o dízimo é uma experiência maravilhosa de vida. É uma forma de experimentar Deus. Um exercício de gratidão e de confiança na Divina Providência.

Qual a bênção que acompanha a oferta do dízimo? A primeira impressão, para as pessoas que não têm conhecimento sobre o dízimo, é estranha, e, às vezes, com crítica: o padre agora só quer falar de dinheiro. Muita gente não sabe que o dízimo vem acompanhado com uma promessa de bênção divina. Em muitas passagens da Bíblia, o próprio Deus pede o dízimo, isto é, a décima parte do que as pessoas têm ou produzem. Deus quer que o seu povo não confie nos bens do mundo, mas somente no seu amor. Deus pede ao seu povo que partilhe com a comunidade aquilo que é fruto da bondade divina.

Dízimo é oferta de gratidão a Deus e de partilha com a comunidade.

  • Dízimo não é taxa, porque a Igreja não é um clube. Dízimo não é imposto, porque a Igreja não é uma sociedade qualquer. Dízimo é oferta de gratidão a Deus e de partilha com a comunidade.
  • Dízimo não é pagamento antecipado por serviços que, depois, se poderia cobrar da Igreja. Como se o dizimista tivesse direito a serviços especiais! Dízimo não se paga, dízimo se oferece.
  • Dízimo não se cobra, dízimo se recebe. Só Deus é o Senhor de todas as coisas. Tudo dele recebemos. Por mais que alguém entregue seu dízimo a Deus e à Igreja, nunca conseguirá passar na frente do amor de Deus por nós.

A opção pelo dízimo é como uma colheita: nós devemos acreditar. Deus é fonte de toda a criação e tudo o que Deus-Pai realiza nas pessoas e no mundo, ele o faz por meio de Jesus Cristo. O dízimo é como uma semente. Nela temos a garantia e segurança de que produzirá frutos. Os irmãos e irmãs de nossa Igreja começarão a falar coisas novas. Olharão as construções feitas em mutirão e dirão com alegria: isto é fruto do nosso esforço e do nosso trabalho comunitário. Aí vamos começar a ver uma nova Igreja ou uma nova maneira de ser Igreja. Com isso, a catequese muda, a mentalidade e a prática egoístas se acabam e surgem os resultados. As celebrações começam a ter mais vida. As crianças, os jovens e os adultos se tornarão diferentes, porque serão transformados pela confiança na Palavra de Deus e pela experiência do amor de Deus.

Pode-se dizer que todo dizimista é evangelizador? Pela organização da Pastoral do Dízimo e pela oferta mensal do dízimo, todos saem ganhando: a comunidade e o dizimista. A comunidade se torna renovada e evangelizadora. Pelo dízimo, os fiéis ajudam a Igreja a cumprir sua missão de evangelizar. Por isso, quem contribui com o dízimo é também evangelizador. Mesmo que não possa ou não saiba anunciar a Palavra de Deus, mesmo que não possa sair de sua casa e de sua terra para ir pelo bairro e pelo mundo a anunciar o Evangelho, o dizimista é um evangelizador. Porque estará sustentando a obra evangelizadora dos agentes de pastoral, dos catequistas, dos ministros, dos animadores de grupos de reflexão. O próprio ato de ofertar o dízimo revela que alguém foi evangelizado e se tornou evangelizador. Com a oferta do dízimo, a Igreja se torna também mais viva e participativa. Terá mais motivos para celebrar sua vida e sua fé. Pelo dízimo, os fiéis ajudam a liturgia da Igreja, colaboram para a manutenção da Igreja, para a celebração da missa e dos outros sacramentos, para a compra das coisas necessárias para uma celebração bonita e festiva (paramentos, objetos sagrados, livros, folhetos, flores, velas, etc.). Mesmo que não possa participar da equipe de liturgia e de celebração, o dizimista é um celebrante. Sua oferta é sua celebração. Seu dízimo acompanha o sacrifício que Cristo ofereceu ao Pai na cruz e que a Igreja comemora em cada missa.

Pode-se dizer que todo dizimista é catequista? Com a oferta do dízimo, a comunidade se torna toda ela catequizadora. É com a oferta do dízimo de seus fiéis que a paróquia consegue comprar todos os materiais necessários para a catequese das crianças, adolescentes e jovens. Pelo dízimo de seus fiéis, a paróquia consegue investir na formação permanente de seus catequistas e na formação de novos catequistas. Por isso, quem contribui com o dízimo é catequista. Mesmo que não saiba dar catequese, nem possa tirar um pouco de seu tempo para esse trabalho tão central na vida da Igreja, o dizimista é um catequista. Pois é por meio de sua oferta que a Igreja mantém essa frente tão significativa da evangelização.

Dízimo é oferta de gratidão a Deus e de partilha com a comunidade.

Com a oferta do dízimo de seus fiéis, a comunidade se torna solidária e samaritana. A Igreja tem a missão de socorrer a necessidade das pessoas pobres. Ela tem a missão de anunciar um Reino de justiça e paz. Por isso, atua em muitas frentes de organização social. São muitas as Pastorais Sociais que ela mantém. De mil maneiras, uma paróquia se debruça sobre as carências do povo. O dizimista, mesmo que não tenha tempo e disposição e carisma e coragem, para esse tipo de atividade, mesmo assim, ele é, no fundo, um profeta, um samaritano, um transformador da realidade. Porque é através de sua oferta que a Igreja realiza esse tipo de atividades. Como vimos, todo dizimista, pelo simples fato de sua oferta mensal, já é um evangelizador, um liturgista, um catequista e um agente da pastoral social da Igreja. É claro, porém, que não basta oferecer o dízimo. Quando se abre o bolso para repartir o dinheiro, é porque o coração já foi aberto para repartir o tempo, as qualidades e os talentos, a fim de se engajar na vida da Igreja e na obra da evangelização.

Então, que assim seja!

Fonte: http://sjb.arquifloripa.org.br/dizimo.shtml

Olá, mundo!

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